22 de setembro de 2011

Se foi pra não ser, eu espero que não seja pro resto da vida.
Eu pensei que eu poderia respirar sem o lápis com a ponta por apontar, eu juro que pensei que aquele maldito caderninho de folhas sujas e gastas não precisaria me acompanhar. Mas eu estava errada (mais uma vez), eu precisei agarrar a caneta do balcão e o guardanapo do bar sujo, eu transpassei o que doía tão rápido, tão cuspido que rasguei o guardanapo e peguei outro. E escrevi em três guardanapos. O primeiro na palavra "começou" rasgou, nem percebi. O segundo na palavra "saudade" rasgou, eu quis parar mais continuei. O terceiro rasgou a frase inteira "não quero mais, chega, se doer que doa, eu nem ligo mais".
Amassei os guardanapos, joguei no lixo e lembrei que gesso também engessa coração.

20 de agosto de 2011

Fabrica da inexistência.

-  Bisturi.
- Pinça.
- Gosset.
- Pinça.
- Nossa, pensei que seria mais fácil, está cheio demais.
- Finochietto.
- Vamos começar a retirar.
- Pinça.
- Algumas decepções. Lágrimas, há algumas secas. Um pouco de solidão. Há medo, alguns muito grandes. Receio. Isso aqui acho que é, falta. Ciúmes, há ciúmes que nem deveria estar aqui. Desconfiança. Não há tanta raiva e ódio assim. Quanta saudade, há muita saudade. Espero que a dor acabe, retiramos tudo que podíamos.
- Senhor você deixou um pouco de algumas coisas, não é melhor retira-las ?
- Você entenderá estagiário.
- Vamos encher novamente.
- Fé, esperança, sonhos, coragem e perseverança ao lado do medo e do receio. Sorrisos, histórias, abraços, paixões, confiança, verdade e positivismo perto das lágrimas, da solidão, da desconfiança, da saudade e da falta. Amizade e alegria no lugar do ódio e da raiva. Amor, muito amor em volta, em cima, e de todos os lados.
- Está perfeita nossa boneca de porcelana.

15 de agosto de 2011

Êxtase Circustancial

     Ele entrou no ônibus calmamente, com um unica mochila nas costas. Em suas mãos havia um caderno, ou um livro. Seu corpo magro o dava a impressão de altura, sua roupa escura destacava sua camisa xadres avermelhada.
     Ele andava meio de lado, meio caindo, talves pelo peso da mochila. Com os olhos fixos nos números das poltronas, andava como se estivesse em cima de ovos e sorria para quem o olhava.
     Achou seu lugar e sentou-se. Devagar se aconchegou, seu rosto refletia o quão a vontade estava.
     O ônibus começou a andar, ele não parecia se importar com o balanço e os pulos. Ele devorava um livro com tanta ferocidade que pude perceber que naquele momento ele era um personagem da história e já havia abandonado o ônibus.
     Cochilei.
     Meio sonolenta, com os olhos semiabertos, percebi que ele se levantava, tinha abandonado a ferocidade que lia o livro e deu lugar a mesma calma e gentileza que havia entrado ali.
     Com um olhar tímido ele me olhou, sorri pra ele, ele sorriu pra mim.

6 de agosto de 2011

Não sorria
Não cante
Não repire
Não chore
Não leia
Não brinque
Não transe
Não não
Enquanto eu não chegar
Existem limites irracionais entre todos nós
Dizemos mentiras fúteis a nós mesmos todos os dias
Promessas doadas ao nada
Ventos, ventanias e brizas nos levam ao mesmo lugar

Sorrisos prontos para serem usados
Sem emoção
Sorrisos sem sorrisos

Palavras criadas para fingirmos sentimentos
Histórias contadas com figuras desconfiguradas
Ainda temos medo do bicho-papão

Novamente criados a cada segundo
Somos a poeira no meio do redemoinho

2 de julho de 2011

Só de mim.

I like being braless, I like being of panties. I like silly songs that speak of love and songs that say nothing. I like rum. I like to lie down in strange places and look at the sky. I like to laugh. I like having friends. I like being alone. I like to laugh alone. I like of good. I like of the good. I like my bed. I like driving. I like the road. I like the adventure. I like the moon, I love the moon. I like to move on, mas é difícil seguir gostado de você.

28 de junho de 2011

Fingiremos que meu cérebro não lembra do que passou, do que falou, do que sentiu.
Fingiremos que eu não te conheço.
Fingiremos que te esqueci.

27 de junho de 2011

Corre corre corre cuidado com o fio não tropeça no tapete segura até o banheiro na privada não suja tudo lava a boca senta ai respira dá descarga lava a mão lava a boca de novo passa pasta de dente sei lá sai daí dá uma volta sei lá respira melhorou ?

19 de junho de 2011

Entre rostos parecido com o seu, 
nenhum idiota conseguiu me livrar de você.

Então chegou.

Em algum canto qualquer,
em meio a um silêncio incomum,
escutei um riso
que por algum motivo desconhecido me fez rir também.
Pude escutar envolto o riso seu passos vindo até mim.
Pouco pude ver de seu rosto,
alguns traços conhecidos,
os olhos iluminados,
um pouco confuso.
Meu olhos se fechara e o beijo aconteceu.

17 de junho de 2011

Siga o seu caminho,
segure a minha mão.
Continue o seu trajeto,
me abraça.

6 de junho de 2011

O gelo que pulsa meu sangue.

Na calçada da rua escura 
onde permanecia a neblina densa
fiquei sentada a esperar a primeira morte a passar.

Sem vida, 
sem passos, 
sem ruídos, 
sem batidas do coração.

Boa noite Cinderela, 
seu conto acabou ontem.

5 de junho de 2011

Vai e vem.

Enquanto passa o tempo que não tenho,
permanece a duvida que nunca tive.
Enquanto vai os sonhos de que eu desisto,
em meus olhos só brilha o seu rosto.
Enquanto foge o sorriso que te roubei,
sorrio para fazer sorrir.
Enquanto faço palhaçadas no meu palco,
me apaixono pelo palhaço de outro palco.
Espero que um dia eu aprenda que palhaços só gostam de brincar.
Estou cansada de brincar de nada.

Depois do ali.

Tão longe é o aqui, 
tão longe quanto você de mim.

Se alguém tenta entrar, 
eu já estranho, 
antes de conseguir.

Não se perca, 
não divida-me, 
não.

Se o tempo acabar, 
acabou.

1 de junho de 2011

Eu dormi querendo ser.

Ninguém sabe o quanto pode ser,
até acordar sendo.

Posso ser sua metade,
seu terço,
seu quarto.

Posso ser você,
posso ser apenas eu,
posso não ser nada.

Posso ser aquela outra,
essa aqui,
ou quem tenta te esquecer.

Vou ser seu Karma,
seu tudo,
seu nada.

Não vou ser, vou deixar de ser.
Até que você me diga que posso ser novamente tudo isso.
Até que você me diga que posso ser novamente você.

30 de maio de 2011

Data desconhecida.

As janelas estão fechadas,
as portas entre-abertas, 
ruídos de conversa de bêbado misturada com risadas tomam conta dos meus ouvidos, 
você está ali no canto, 
quieto como sempre, 
com os olhos fixos em um só ponto.

Onde sento não posso te ver, 
melhor assim,
talvez.

Pego meu copo e continuo com a conversa que a pouco escutei lá fora.
Meus dedos estão gelados, 
passo o copo de cerveja de uma mão a outra. 
Meus dedos continuam gelados.

Vez ou outra escuto um comentário seu sobre a conversa, 
ninguém mais escuta.

Olho para trás com o intuito de te colocar na conversa com um sorriso, 
não te acho ali mais, 
te procuro pela sala, 
você nunca esteve ali.

Nós nunca estivemos em mim.

Espero que a dor passe.

Esperei por tanto tempo para "isso" chegar
e agora que eu sei o quanto dói não quero mais.
Contraditório não ?

Queria que tudo isso chegasse,
esperava que tudo isso chegasse tão quieto e bonito,
esperava que tudo isso não fosse incomodar tanto.

Aquelas lágrimas que escorriam pelas frestas dos meus globos oculares
liberavam toda raiva e dor que eu sentia.
Isso foi a anos atrás.
Nos anos em que minha mãe me xingava por eu ter chego depois da meia-noite em casa.

Hoje, no meu quarto, deitada na minha cama, me faço a mesma pergunta de ontem:
minha dor é maior que a de anos atrás ?
Resposta:
eu não tinha dor a anos atrás, claro, exceto as dos machucados.

29 de maio de 2011

Vou esperar.

No meu quarto escuro,
sem sombras, nem ruídos,
me lembro dos seus olhos.
Daqueles profundos olhos que eu não quero esquecer jamais.

Por instantes eu me lembro de tudo que passamos,
nasce uma lágrima em meus olhos,
lembro das palavras, dos gestos, dos sonhos que sonhei sozinha.
Lembro da dor
e do dia em que prometi para as estrelas que mais nada me pararia.

Não vou desistir do que me faz sorrir.
Não vou me trancar e fingir que nada importa.
Vou cuidar de mim, enquanto não estou em seus braços novamente.