30 de maio de 2011

Data desconhecida.

As janelas estão fechadas,
as portas entre-abertas, 
ruídos de conversa de bêbado misturada com risadas tomam conta dos meus ouvidos, 
você está ali no canto, 
quieto como sempre, 
com os olhos fixos em um só ponto.

Onde sento não posso te ver, 
melhor assim,
talvez.

Pego meu copo e continuo com a conversa que a pouco escutei lá fora.
Meus dedos estão gelados, 
passo o copo de cerveja de uma mão a outra. 
Meus dedos continuam gelados.

Vez ou outra escuto um comentário seu sobre a conversa, 
ninguém mais escuta.

Olho para trás com o intuito de te colocar na conversa com um sorriso, 
não te acho ali mais, 
te procuro pela sala, 
você nunca esteve ali.

Nós nunca estivemos em mim.

Espero que a dor passe.

Esperei por tanto tempo para "isso" chegar
e agora que eu sei o quanto dói não quero mais.
Contraditório não ?

Queria que tudo isso chegasse,
esperava que tudo isso chegasse tão quieto e bonito,
esperava que tudo isso não fosse incomodar tanto.

Aquelas lágrimas que escorriam pelas frestas dos meus globos oculares
liberavam toda raiva e dor que eu sentia.
Isso foi a anos atrás.
Nos anos em que minha mãe me xingava por eu ter chego depois da meia-noite em casa.

Hoje, no meu quarto, deitada na minha cama, me faço a mesma pergunta de ontem:
minha dor é maior que a de anos atrás ?
Resposta:
eu não tinha dor a anos atrás, claro, exceto as dos machucados.

29 de maio de 2011

Vou esperar.

No meu quarto escuro,
sem sombras, nem ruídos,
me lembro dos seus olhos.
Daqueles profundos olhos que eu não quero esquecer jamais.

Por instantes eu me lembro de tudo que passamos,
nasce uma lágrima em meus olhos,
lembro das palavras, dos gestos, dos sonhos que sonhei sozinha.
Lembro da dor
e do dia em que prometi para as estrelas que mais nada me pararia.

Não vou desistir do que me faz sorrir.
Não vou me trancar e fingir que nada importa.
Vou cuidar de mim, enquanto não estou em seus braços novamente.