20 de agosto de 2011

Fabrica da inexistência.

-  Bisturi.
- Pinça.
- Gosset.
- Pinça.
- Nossa, pensei que seria mais fácil, está cheio demais.
- Finochietto.
- Vamos começar a retirar.
- Pinça.
- Algumas decepções. Lágrimas, há algumas secas. Um pouco de solidão. Há medo, alguns muito grandes. Receio. Isso aqui acho que é, falta. Ciúmes, há ciúmes que nem deveria estar aqui. Desconfiança. Não há tanta raiva e ódio assim. Quanta saudade, há muita saudade. Espero que a dor acabe, retiramos tudo que podíamos.
- Senhor você deixou um pouco de algumas coisas, não é melhor retira-las ?
- Você entenderá estagiário.
- Vamos encher novamente.
- Fé, esperança, sonhos, coragem e perseverança ao lado do medo e do receio. Sorrisos, histórias, abraços, paixões, confiança, verdade e positivismo perto das lágrimas, da solidão, da desconfiança, da saudade e da falta. Amizade e alegria no lugar do ódio e da raiva. Amor, muito amor em volta, em cima, e de todos os lados.
- Está perfeita nossa boneca de porcelana.

15 de agosto de 2011

Êxtase Circustancial

     Ele entrou no ônibus calmamente, com um unica mochila nas costas. Em suas mãos havia um caderno, ou um livro. Seu corpo magro o dava a impressão de altura, sua roupa escura destacava sua camisa xadres avermelhada.
     Ele andava meio de lado, meio caindo, talves pelo peso da mochila. Com os olhos fixos nos números das poltronas, andava como se estivesse em cima de ovos e sorria para quem o olhava.
     Achou seu lugar e sentou-se. Devagar se aconchegou, seu rosto refletia o quão a vontade estava.
     O ônibus começou a andar, ele não parecia se importar com o balanço e os pulos. Ele devorava um livro com tanta ferocidade que pude perceber que naquele momento ele era um personagem da história e já havia abandonado o ônibus.
     Cochilei.
     Meio sonolenta, com os olhos semiabertos, percebi que ele se levantava, tinha abandonado a ferocidade que lia o livro e deu lugar a mesma calma e gentileza que havia entrado ali.
     Com um olhar tímido ele me olhou, sorri pra ele, ele sorriu pra mim.

6 de agosto de 2011

Não sorria
Não cante
Não repire
Não chore
Não leia
Não brinque
Não transe
Não não
Enquanto eu não chegar
Existem limites irracionais entre todos nós
Dizemos mentiras fúteis a nós mesmos todos os dias
Promessas doadas ao nada
Ventos, ventanias e brizas nos levam ao mesmo lugar

Sorrisos prontos para serem usados
Sem emoção
Sorrisos sem sorrisos

Palavras criadas para fingirmos sentimentos
Histórias contadas com figuras desconfiguradas
Ainda temos medo do bicho-papão

Novamente criados a cada segundo
Somos a poeira no meio do redemoinho