15 de agosto de 2011

Êxtase Circustancial

     Ele entrou no ônibus calmamente, com um unica mochila nas costas. Em suas mãos havia um caderno, ou um livro. Seu corpo magro o dava a impressão de altura, sua roupa escura destacava sua camisa xadres avermelhada.
     Ele andava meio de lado, meio caindo, talves pelo peso da mochila. Com os olhos fixos nos números das poltronas, andava como se estivesse em cima de ovos e sorria para quem o olhava.
     Achou seu lugar e sentou-se. Devagar se aconchegou, seu rosto refletia o quão a vontade estava.
     O ônibus começou a andar, ele não parecia se importar com o balanço e os pulos. Ele devorava um livro com tanta ferocidade que pude perceber que naquele momento ele era um personagem da história e já havia abandonado o ônibus.
     Cochilei.
     Meio sonolenta, com os olhos semiabertos, percebi que ele se levantava, tinha abandonado a ferocidade que lia o livro e deu lugar a mesma calma e gentileza que havia entrado ali.
     Com um olhar tímido ele me olhou, sorri pra ele, ele sorriu pra mim.